Disciplina - Lingua Portuguesa

Linguagem Literária e Linguagem Cinematográfica

1ª Aula


1. Começar uma conversa espontânea com os alunos sobre “felicidade”. Pode-se perguntar:

O que é felicidade?
A felicidade está relacionada com a posse de bens materiais, em ter ou não coisas, como, por exemplo, uma roupa, um objeto eletrônico; ou em ter um trabalho bem remunerado, ser reconhecido por seus talentos, possuir uma família harmoniosa e gozar de boa saúde? Enfim, a pessoa que conquistar tudo isso é necessariamente feliz?

2. Perguntar o que compreendem pela expressão "clandestino(a)". Deixar os alunos falar livremente sobre o significado do termo e, por hora, não passar o significado dicionarizado.

3. Escrever no quadro o significado que os alunos deram para cada palavra e dizer que podemos expressar ideias, sentimentos, fatos de diversas formas, como, por exemplo, pela forma verbal, pelos gestos, pela escrita.
Na literatura encontramos a expressão de ideias e sentimentos por meio da escrita. Um exemplo é a escritora Clarice Lispector e seu conto intitulado Felicidade Clandestina. Este conto compõe o livro Felicidade Clandestina, que reúne 25 contos, alguns deles escritos para serem publicados no Jornal do Brasil e outros escritos em diferentes épocas da vida da autora. Temas como a adolescência, a infância e a família são abordados nesse livro, tendo muito de autobiográfico.

4. Após discutir com os alunos aquilo que eles manifestaram sobre felicidade, entregar aos alunos o conto Felicidade Clandestina de Clarice Lispector. Fazer a leitura do conto.

5. Perguntar aos alunos: O que o título Felicidade Clandestina sugere? Aquilo que vocês entendiam por "clandestino(a)" se confirmou ou não após a leitura do conto?

6. Conversar sobre o termo “clandestino(a)”, discutindo em que contextos ele é comumente usado. Apresentar o significado dicionarizado do termo "clandestino(a)": adj. 1. Feito sem as formalidades legais, e até evitando-as. 2. Feito às escondidas.

7. O que podemos entender sobre o fragmento: "A felicidade sempre iria ser clandestina para mim". Importante: Deixar que as manifestações sejam espontâneas.

8. Suscitar junto aos alunos as seguintes reflexões:
Para a personagem a felicidade consistia em ter acesso ao mundo da leitura por meio dos livros, no entanto o acesso ao livro era para uma minoria privilegiada economicamente. E hoje em dia, o acesso aos livros ainda é limitado, ou não?

9. Com o intuito de subsidiar a discussão, dividir os alunos em equipes para fazerem a leitura da pesquisa realizada pelo Instituto Pró-Livro: Retratos da leitura no Brasil. Dividir os 14 tópicos da parte II da pesquisa e dizer que na próxima aula os alunos farão a apresentação desses dados.

Texto:
Instituto Pró-Livro - IPL (Coord.). Retratos da leitura no Brasil. 3. ed., 2012. (Acesso em: 03 mar. 2013).

Professor, se necessário, sugerir as seguintes leituras:

INSTITUTO Pró-livro. Comportamento do leitor e hábitos de leitura: comparativo de resultados em alguns países da América Latina. Mar. 2012. (Acesso em: 03 mar. 2013).
TERRA. Compra de livros cresce, mas pequenas livrarias, não. 07 ago. 2012. (Acesso em: 03 mar. 2013).
VEJA. Hábito de leitura cai no Brasil, revela pesquisa. 28 mar. 2012. (Acesso em: 03 mar. 2013).


2ª Aula

1. Inicialmente retomar o questionamento que gerou o estudo dos dados: E hoje em dia, o acesso aos livros ainda é limitado, ou não? Em seguida, organizar a apresentação pelos alunos dos dados apresentados na parte II da pesquisa Retratos da leitura no Brasil.

2. Retornando a discussão sobre aspectos do conto, perguntar:
O que se pode compreender pela comparação apresentada no final do conto: “não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com o seu ‘amante’”.
Caso os alunos não consigam explicar o sentido metaforizado presente no fragmento, o professor deverá comentar que a utilização da palavra “amante” reforça o sentido da clandestinidade, por ela significar algo que não lhe pertence, explicando, nesse momento, o que é uma metáfora.

Metáfora: Figura de Linguagem. São recursos usados pelo falante para realçar a sua mensagem. A metáfora consiste em retirar uma palavra de seu contexto convencional (denotativo) e transportá-la para um novo campo de significação (conotativa), por meio de uma comparação implícita, de uma similaridade existente entre as duas.



3ª Aula


1. Retomar o assunto da última aula perguntando se todos acompanharam a discussão sobre o fragmento “A felicidade sempre iria ser clandestina para mim".

2. Na sequência, perguntar se eles sabem o que é uma adaptação cinematográfica, e se já assistiram a alguma.
Comentar que adaptação cinematográfica é o uso, para a realização de um filme, de material real ou fictício que tenha sido previamente publicado como texto escrito, seja na forma de romance, conto, biografia, reportagem, peça teatral, quadrinhos etc.

3. Para que possam compreender melhor a relação entre obra literária e adaptação cinematográfica e também a distinção entre as linguagens, passar os seguintes vídeos (ou optar por um deles):



Adaptação Cinematográfica


Cinema e Literatura


Entrelinha - Cinema e Literatura

4. Perguntar aos alunos se, a partir do que ouviram e viram nos vídeos, conseguiram compreender as relações que se estabelecem entre a obra original e a adaptada.
Durante as intervenções dos alunos deixar claro que, embora existam muitas semelhanças estruturais entre uma obra, seja ela uma peça de teatro, um conto, um romance e um roteiro de cinema, estes são gêneros diferentes, e cada um tem uma especificidade que os diferem, no uso da linguagem, nos objetivos e no formato. Deve-se destacar que nem sempre uma adaptação será fiel à obra e que "adaptar" é transpor um gênero para outro, e, ao fazer isso, devemos fazer os ajustes necessários para dar conta das peculiaridades do gênero que se pretende trabalhar.


4ª Aula


1. Após terem discutido o que é uma adaptação cinematográfica, passar uma adaptação do conto Felicidade Clandestina.



Felicidade Clandestina - 1


Felicidade Clandestina - 2

2. Após assistirem aos vídeos, solicitar aos alunos que se organizem em duplas e releiem o texto e, no caderno, anotem as semelhanças e as diferenças que perceberam entre os dois gêneros (o curta e o conto) em relação ao emprego da linguagem, o enredo e outros aspectos que queiram destacar.

3. Ao concluírem, pedir que socializem o que observaram nos dois gêneros. Fazer um quadro comparativo, na lousa, a partir das informações que os alunos apresentaram.

Importante: Ao término desse quadro, demonstrar aos alunos que em uma adaptação não vamos, necessariamente, encontrar tudo o que lemos na obra original. Ao transpor uma obra para o cinema são necessárias adaptações na linguagem, no ritmo, na seleção de uma cena em detrimento de outra, no destaque ou não de determinado personagem, na supressão de diálogos e na criação de outros. Enfim, é importante explicar que um gênero não substitui o outro e, também, que um não pretende complementar o outro, pois são gêneros diferentes. Informar, ainda, que o filme, assim como a obra escrita, possui um autor que é, nesse caso, o Diretor do filme, e é esse processo autoral que garante originalidade à obra fílmica.

Atividade complementar

Fica como sugestão, caso o professor queira aprofundar os conhecimentos com os alunos sobre a linguagem cinematográfica, falar um pouco sobre os planos de movimento. Para isto, sugere-se o vídeo Planos Fotográficos (Acesso em: 20 mar. 2013).



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